domingo, 16 de março de 2008

A Casa Navio

...os cabarés daquela época já não eram mais aqueles locais onde os maridos iam, a fim de dançar com polacas, tentar a sorte no pôquer, ou prosear sobre a sociedade, ao sabor de um scotch, ou uma cuba. Já nesses anos, os cabarés eram locais de prostituição explícita. O rufianismo vingava e enriquecia figurinhas carimbadas daquela sociedade emergente, a exemplo das donas das casas que se situavam a altura da Praça da Sé, de Nazaré e da Ladeira da Montanha. Maria da Vovó, fiscalizada habitualmente por milícias formadas desde militares até forças especiais, não era um local hospitaleiro. Já o Meia Três, ah sim... Seria impossível paraVitor não se sentir bem naquele local. Desembargadores, médicos e engenheiros, naquela penumbra avermelhada, se confundiam com os imberbes rapazes que iam observar e ter com as simpáticas moças daquele cabaré.
Não raro, em meio a um reboliço em volta de uma mesa, encontrava-se nada mais nada menos que Jorge Amado, que na década de 70 ja era conhecido internacionalmente pela sua prosa e romance. Ele estava por ali mesmo era juntando mais fatos para adubar a sua fértil mente que retratava aquela sociedade como ninguém.
Mas não era no Meia Três que Vitor e sua tchurma se encontravam na maioria das vezes não. A ida para o Centro era esporádica, ja que a Pituba os servia tão bem, com seus barzinhos e boates. Quantas vezes, na intenção de um papo e de uma batata frita, já não se depararam com showzinhos de Daniela Mercury ou então de Kid Abelha e os Aboboras Selvagens, no Canteiros?
Quando não estavam por aí, é porque haviam precisado passar na Casa Navio e estavam se recuperando. Morava na Casa Navio, uma casa de arquitetura moderna, em formato de navio, um dos maiores nomes da medicina local e nacional: Dr. Bureau era quem aplicava as injeções de penicilina nos garotões, que a certa altura já estavam acostumados até com as bem humoradas brincadeiras do urologista, que sempre se despedia deles dizendo que os aguardavam em suas velhices, para aquele tradicional exame... E foi assim que curtiu a juventude, os moradores daquele bairro doce como suco de mangaba. Doce como pe-de-moleque, doce como pituba, bafo, exalação, maresia...

Um comentário:

Mandinha disse...

Doce como suas "escrituras", cabeça. :)