domingo, 15 de junho de 2008

escolha de bravatas

seria mais um dia comum na escola de gravatas para seus alunos e professores. e talvez o tenha sido mesmo, exceto para ele, que entrou atrasado na aula, trajando uma gravata florida. as cores chamavam atenção naquela névoa vestida de preto e branco e confinada em quatro paredes. estavam todos sentados, calados, fingindo para eles mesmos estarem atentos. os olhos estavam mesmo parados, mas os ouvidos eram vazios e as mentes distantes. o homem da gravata florida sentou, ao fundo.

ao se inteirar do assunto, entendeu tratar-se de uma aula sobre nó e bom gosto. o discurso prosseguia e o respeito ao mesmo também. o rapaz começou a se perguntar em voz descuidadosamente alta para um pensamento: se ele quer que usemos um nó existente, por que só ele usa esse? será que ninguém percebe que a gravata não está combinando?

seus colegas, assustados, pediram-lhe cautela: ta maluco rapaz?! fala baixo! mas sou só eu que estou vendo isso? claro que não, mas o cara é o cara. você não tem medo não? é rapaz, respeita! e o que é que eu faço na prova? eu posso folgar esse nó? eu posso vir sem gravata? não sei o que você ganha com isso, além de zero. repete o que ele pensa né? diz que o nó dele é o melhor. mas eu nunca vou usa-lo! não importa, o que interessa é que ele vai ouvir o que quer ouvir

o rapaz ajeitou sua postura. escolheu um ponto fixo à sua frente e, uma por uma, foram murchando as suas flores.

Um comentário:

Cicero disse...

mantendo o tema FDUFBA.. hehehe
porreta o texto