quinta-feira, 10 de abril de 2008

araripe

Em noite de lua cheia, o menino saía correndo pelas ruas, subia nos postes e retirava as lâmpadas. E então, o chão de pedras, de laranja-das-lâmpadas tornava-se azul-da-lua. Era uma luz forte, e ele queria que toda a pequena cidade contemplasse junto com ele aquela natureza mágica, que mesmo à noite, iluminava-se para contemplar melhor a si mesma. Aquilo fazia-o sentir mais que um garoto, ele era parte do universo. O vento soprava as nuvens dando a impressão de que a lua corria, talvez para encantar o mundo inteiro.

De criança-do-interior tornou-se pai-da-capital, e criou seus muitos filhos ensinando-os o azul. E os chamava no quintal, como fazia com sua cidade, quando então era dono do mundo, para ver o céu. Saudoso das estrelas do interior, ele mostrava a lua, e pra lá ele ia, pra ver o mundo e o brilho no mar escuro. Hoje ele não pode mais fazer com que o mundo olhe pra si mesmo sob a luz noturna. Mas sua cidade é sua família e essa sabe que por trás do céu mais escuro, das mais densas nuvens, na noite mais vazia, no mais ressonante silêncio, sempre haverá uma lua, um luar, uma luz. Forte.

Um comentário:

Emília disse...

que lindo sapildo. lindo lindo.